O cavalo de sol
Um romance situado na 3.ª década do século XX, quando a heterossexualidade era reprimida por toda a espécie de convenções, e a homossexualidade tabu social e crime perante a lei.
Uma escrita visceral, acutilante e sensualíssima, em que o corpo avança, num ritmo progressivamente acelerado, para a descoberta de si próprio e do mundo.
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Mais tórrido do que o verão, só uma história de amor(es) proibido(s). Vencedor do P.E.N. Clube Português de Narrativa em 1989, O Cavalo de Sol retrata um Portugal rural e tacanho dos anos 30, onde as convenções de género inflexíveis eram infernos silenciosos para as mulheres — e para os maridos que não as amavam. É o que se passa entre Jerónimo, homossexual reprimido, e a sua prima Victoria, forçada a casar com ele, numa delicada e melancólica história que consta entre o que de melhor Teolinda Gersão já publicou.
ANTÓNIO MOURA DOS SANTOS, OBERVADOR
“Extraordinário romance. … Um daqueles livros que guardamos perto, a ele voltando quando a lembrança pede e o coração ordena. Para rever uma sequencia, retomar um pormenor, retomar uma palavra que se destaca, luminosa”.
MARIA LÚCIA LEPECKI, DIÁRIO DE NOTÍCIAS
Um dos melhores romances da estação literária que ora corre.
PEDRO ALVIM, DIÁRIO DE LISBOA
Cremos estar aqui perante a mais importante e brilhante produção narrativa portuguesa deste ano, uma aparatosa demonstração de virtuosismo na criação romanesca, uma conjugação excepcionalmente feliz de uma arte imensa do verbo e das estruturas dos regimes discursivos da ficção.
JOSÉ EMÍLIO NELSON, JORNAL DE NOTÍCIAS
Nos textos de Teolinda Gersão, a mulher continuamente busca as palavras que lhe oferecem um espaço livre […] e que lhe permitem a expansão do seu círculo. […] Como texto feminista, O cavalo de sol problematiza o discurso patriarcal tradicional.JOSÉ N. ORNELAS, Univ. Mass, COLÓQUIO LETRAS
O Cavalo de Sol é um exercício de precisão em que nada é deixado ao acaso. Essa precisão está emblematicamente expressa nos movimentos do cavalo: passo, trote, galope e salto, que são, aliás, os títulos das quatro partes que compõem o romance. Este constrói-se com o rigor com que o cavaleiro prepara o salto. E o que está em causa é exactamente o percurso de Vitória, exímia amazona, que estabelece com o cavalo uma unidade perfeita e singular, até ao salto para a liberdade de uma vida autónoma, até à vitória sobre Jerónimo, sobre todas as forças da Casa que a desejavam destruir.
ANA TERESA DIOGO, COLÓQUIO/LETRAS
LE CHEVAL DE SOLEIL
Du haut de son cheval, Vitoria rêve de son cousin, Jeronimo, qu´elle va épouser dans quelques mois. Vitória est fascinante, imprévisible, et tandis qu´elle galope dans le vent, défiant de plus en plus son entourage, Jerónimo se réfugie dans la pratique de la chasse, lieu où il domine ses proies.La fête approche.Vitória saute le dernier obstacle et abandone Jerónimo. La fête s´enfuit devant le drame. Étrange roman, bâti au rhytme des allures cavallières et du martellement des battements du coeur. Tout en décrivant l´atmosphère passéiste d´une famille portugaise, l´auteur joue, avec talent, des difficultés relationnelles en amour, dans un monde “où rien ne coincide avec rien, où les choses ne sont jamais égales à l´idée qu´on s´en faisait”. Très vite le lecteur est emporté par la cadence de ce récit, à l´ecriture brillante, où s´entremêlent, avec virtuosité, l´irréalité du rêve, la violence des passions et le combat éffréné pour la vérité des choses.
NOTES BIBLIOGRAPHIQUES
L´auteur manie le lyrisme au galop.
L´HUMANITÉ
Michel Leiris avait apparenté la littérature à la tauromachie. Teolinda Gersão la lie à l´équitation dans cette insolite cavalcade romanesque. Au rythme du temps équestre – pas, trop, galop et saut – s´engage une lutte pour la passion et le pouvoir, magnifiquement servie par une écriture qui évoque à merveille l´inertie sensuelle du Portugal des années 20.
CONTEMPORAINE
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Le Cheval de Soleil, transl. by Geneviève Leibrich, Paris, Flammarion, 1992
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Prémio P.E.N. Clube Português de Narrativa, 1989