O Regresso de Júlia Mann a Paraty
O regresso de Júlia Mann a Paraty são três novelas que se entrecruzam, de modo surpreendente. Através de um conhecimento profundo da vida e da obra de personagens históricas, e respeitando a veracidade dos factos, a autora desvenda o mundo interior de todas elas, vívida e credivelmente ficcionado, numa narrativa fascinante que prende o leitor da primeira à última página.
-
O universo contístico de Teolinda Gersão continua a ser um dos mais interessantes e sempre inesperados da recente literatura Portuguesa,
JOSÉ RIÇO DIREITINHO, Público
Teolinda Gersão, uma das mais importantes escritoras de toda a literatura portuguesa, cria, nas três partes de O Regresso de Júlia Mann a Paraty (2021), uma versão ficcionalizada das vidas de três figuras históricas: Sigmund Freud, Thomas Mann e Júlia Mann. É bem conhecida a frase de Freud: o ego é uma criatura de fronteira. (…) Freud e Thomas Mann identificaram os seus duplos e tentaram eliminá-los, absorvendo o outro por completo. Teolinda, por sua vez, mostra-nos como uma vida inteira pode ser consumida por ver o outro como o eu e, inversamente, o eu como o outro. Podemos ler os capítulos (…) como exercícios psicanalíticos. (…) A abordagem de Gersão é convincente, pois consegue representar com rigor as técnicas da psicanálise. (…) O diálogo que ela estabelece entre estas três pessoas é um questionamento do outro que é também um questionamento do outro-eu. É também uma exploração dos caminhos e dos lugares da literatura, da cultura e da ciência; da responsabilidade ética coletiva e individual; e, em última instância, da própria humanidade.
CARLOS NOGUEIRA, Palgrave Macmillan
(...)Sigmund Freud abre O regresso de Júlia Mann a Paraty, da escritora portuguesa Teolinda Gersão, um livro cujo centro é a mãe brasileira dos escritores Heinrich e Thomas Mann. (...) No segundo capítulo é Thomas Mann que dialoga em imaginação com Freud. A família Mann é um prato cheio para o divã do pai da psicanálise, recheada de relações incestuosas, homoeróticas, complexos de Édipo e Electra. É ficção, mas é tudo verdade, escrito em formato epistolar de cartas nunca enviadas.
NORMA COURI, para o Valor, de São Paulo
O Regresso de Júlia Mann a Paraty tem como ... estrutura um jogo especular: o espelho da vida gregária, o espelho da história, o espelho da escrita. Teolinda convoca para o seu romance ... um vasto campo de referências — da psicanálise à literatura, da história europeia à memória colonial — para interrogar o passado a partir do presente (...)Deste modo constrói uma reflexão crítica sobre os limites da ética, da cultura e da civilização, e sobre a escrita da história, mostrando como esta foi moldada por relações de poder, apagamentos e silêncios. Júlia Mann, figura secundarizada na história literária europeia, emerge aqui como centro simbólico e afectivo, espelho de uma modernidade atravessada por colonialismo, racismo e exclusão.
LUISA MELLID-FRANCO, EXPRESSO, 12.02.2024
Por detrás do título aparentemente solar deste livro de Teolinda Gersão está uma discussão rigorosa das sombras totalitárias — sejam as do pensamento dominante, da arrogância autoral, da ideologia fascista, do preconceito colonialista, da máquina daguerra, da tirania familiar sobre mulheres e filhas, da avaliação (branca) da cor da pele (mestiça, escura, indígena) e até as do primado da razão sobre as emoções.
São Vicente Cunha, Visão 28-01-2021
Este não é um livro sobre Thomas Mann, nem sequer sobre Freud ou Júlia Mann, e aí está a sua excepcionalidade, reforçada por uma escrita que se molda a cada uma das personagens centrais.(...) e os pontos onde essas vidas se tocam, mas é sobretudo um romance a várias vozes, sólido e frequentemente prodigioso, sobre o estilhaçar de uma ideia organizada de tempo e os efeitos que isso teve no nosso modo, individual e colectivo, de vermos o mundo e de procurarmos entender-nos a nós próprios. ...Esse é, aliás, o imenso sortilégio do livro: congregar o turbilhão mental que foi saber que nada mais poderia ser lido, entendido e olhado de modo arrumado e linear.
Os personagens são, a muitos níveis, extraordinários — ainda que Júlia Mann ...nunca tenha tido o merecido reconhecimento — e com intervenção directa, mesmo que de modos diferentes, nas mudanças que inauguraram o século passado. Mas é o cruzamento das suas histórias, sobretudo a um nível profundo e (...)inconsciente, que faz
erguer um romance que está longe de ser um mero exercício biográfico. Um grande romance.
SARA FIGUEIREDO COSTA, REVISTA BLIMUNDA, n.o 102, março de 2021 Fundação José Saramago
O novo romance de Teolinda Gersão exprime uma maturidade literária absoluta, tanto na continuidade da sua obra quanto na criatividade sobre um tema difícil: as relações entre Freud e Thomas Mann, tendo como pano de fundo a obra de ambos e o cenário social do ninho da serpente que constitui a origem política do nazismo.
MIGUEL REAL, Jornal de Letras
Por detrás do título aparentemente solar, está uma dissecação primorosa das sombras totalitárias — sejam as do pensamento dominante, da arrogância autoral, da ideologia fascista, do preconceito colonialista, da máquina da guerra, da tirania familiar sobre mulheres, filhas e mães, da avaliação (branca) da cor da pele (mestica, escura, indígena) e até as do primado da razão sobre as emoções.
SÍLVIA SOUTO CUNHA, Revista Visão
«Teolinda Gersão já habituou os seus leitores a uma notável mestria de escrita, particularmente presente na construção de textos que fazem da brevidade e concisão uma arte de contar. É nessas narrativas, marcadas por subentendidos e não ditos que sugerem mais do que desvendam, que as qualidades de exímia artesã da palavra se revelam.»
AGRIPINA CARRIÇO VIEIRA, Jornal de Letras
A técnica é irrepreensível – a prosa é segura, forte, escorreita, bela. (...)O olhar de Gersão é, em simultâneo, social e íntimo, vê alguém e a sua condição e vê o que é alguém dentro da sua condição. Na prosa da autora, não há o caminho fácil da análise unilateral, antes uma procura dos abismos, dos motivos, do que ninguém assume.
ANA PEDROSA, Observador, 07.03.21
"Teolinda Gersão é uma escritora exímia no domínio dos retratos e da construção ficcional",
ANTÓNIO FERREIRA
Não há outra palavra senão obra-prima para este romance. Misturando História e ficção, como Marguerite Yourcenar fez em Memórias de Adriano, a autora escreve uma narrativa deslumbrante. É impossível não a amar.
DÉCIO TORRES (Brasil), na revista InComunidade
Teolinda Gersão, exímia contadora de histórias e com uma capacidade e perspicácia admiráveis para interpretar textos literários[1], ao entretecer dados factuais e verídicos com outros ficcionais e imaginários, não só “nos põe, diante dos olhos, o que está distante no espaço e no tempo”, como também “nos faz ver o que é intrinsecamente subtraído à vista, os mecanismos íntimos que movem personagens e acontecimentos.
ÂNGELA BEATRIZ DE CARVALHO
Em o Regresso de Júlia Mann a Paraty, a premiadíssima ficcionista portuguesa Teolinda Gersão nos leva, com a maestria de sempre, a uma viagem às profundesas da psique de três personagens com nome e sobrenome históricos a começar pelo pai da psicanálise e com o mais famoso filho da teuto-brasileira Júlia da silva Bruhns. Três histórias fascinantes, que se interligam numa construção magistral, entre luzes e sombras.
ANTÔNIO TORRES
-
Grande prémio DST de Literatura, 2021
-
Croata, Espanhol