Passagens
«Os segredos das famílias. As mentiras, as histórias falsas, que dão origem a memórias falsas.
Os grandes erros que alguém comete, e são pagos pelas gerações seguintes. Mesmo que se queira apagá-los, silenciá-los, estão lá. E voltam à superfície para serem pagos.»
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Sem cair no lugar comum ou no melodrama, não é fácil escrever obre a velhice. Teolinda Gersão consegue fazê-lo com sageza no romance “Passagens”. Narrada sem rodriguinhos, a história de Ana tem a força das evidências.
Passagens desenrola-se no interior da consciência das personagens, como se o romance constituísse uma gigantesca mónada mental.EDUARDO PITTA, REVISTA SÁBADO.
Este romance de Teolinda Gersão pertence a essa esfera da Grande Arte dos nossos dias – o teatro da vida e a vida em teatro, aqui numa estrutura que nos coloca em frente a um palco onde se desenrola um drama humano dos nossos dias, onde cada palavra dos seus personagens nos é dirigida directamente, como se cada um deles nos conhecesse na intimidade.
Ler este romance é ler-nos. A sua beleza está no feito artístico, reservado só a um punhado de escritores, de prender o nosso “olhar” à luz que tanto nos aponta o infinito como nos engrandece na vida.
VAMBERTO FREITAS, AÇORIANO ORIENTAL
A arte da narrativa em TG reside na suprema mestria de criar pequenos dédalos mentais com base nas “falas” isoladas das personagens: cada uma, falando para si, fragmentária e descontinuamente, acrescenta um dado novo à construção do labirinto global que constitui o tecido geral da história. Passagens desenrola-se no interior da consciência das personagens, como se o romance constituísse uma gigantesca mónada mental.
MIGUEL REAL, JORNAL DE LETRAS
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Prémio Fernando Namora, 2015