Prantos, amores e outros desvarios
A morte de um homem amado; o pranto de uma mulher que falha uma promessa e se julga castigada; uma mãe, uma filha e o cheiro venenoso das acácias; uma mulher que se extravia dentro dos seus sonhos; aquele elevador com alguém preso lá dentro; o futebol, implacável jogo bravo; setenta e cinco rosas cor de salmão, seguras por um laço de seda e embrulhadas em papel de prata; solidariedade machista, conselhos de um velho a um rapaz; uma água-marinha que traz uma mensagem; não cobiçar as coisas alheias; uma teia de enredos, e a Alice que caiu num buraco do qual dificilmente conseguirá sair.
Catorze contos extraordinários, de uma das autoras mais consagradas e inquietantes da literatura actual, que nunca deixa de nos surpreender com a acutilância e profundidade da sua escrita..
-
A escrita de Teolinda traz luz à nossa escuridão, mesmo que a loucura espreite a cada momento. Somos nós do outro lado do espelho a espreitar a nossa própria humanidade. Aliás, os três substantivos do título destes contos significam, talvez na totalidade, toda a condição humana, no imaginário destes personagens e na realidade das nossas próprias vidas.
— Vamberto Freitas, Açoriano Oriental
Uma notável arquitectura onde os planos convergem e divergem sem um fechamento definitivo. Onde não há redenção, nem castigo. E onde, como em qualquer pesadelo digno desse nome, nunca nada realmente termina. Prantos percorre com destreza o espectro vasto do quotidiano. Do mais conturbado ao mais aparentemente plácido, a escrita de Teolinda capta o pulsar distinto da vida como se de um batimento comum se tratasse.
— Hugo Pinto Santos, Público
Uma finíssima e maliciosa ironia, uma pessoalíssima liberdade de execução, e uma enorme variedade de registos e de vozes narrativas. Tudo alimentado por uma prodigiosa imaginação fabricadora.
— Eugénio Lisboa, Jornal de Letras
Teolinda retoma a short story situando-a nesse campo fascinante da demiurgia, fantasiando enredos em torno de existências, relacionamentos, desejos secretos, perdas, desilusões, ressentimentos, excessos e perversões, explorando as fronteiras do acto de criação ecruzando nele a realidade e o imaginário, o acontecer e o poder acontecer, a matéria do quotidiano e o absurdo, o senso comum e a loucura.
— Clara Rocha, Colóquio/Letras
-
Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, 2017